Festa da Congada e Moçambique

Projeto sobre congada já está em andamento com oficinas culturais

            O projeto “Festa da Congada e Moçambique” de São Sebastião do Paraíso, com oficinas culturais, já está em andamento. Desenvolvido pelo Terno de Congo Ipiranga, a iniciativa é realizada através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura do Governo Federal, tem a parceria do Conselho Municipal do Histórico e Cultural e da Prefeitura, com patrocínio das empresas Deloitte e Evasoft.

            A proposta do projeto é promover aulas e atividades sobre a cultura da congada com estudantes de várias escolas municipais. Informações referentes a definição, origens, desenvolvimento e vários outros aspectos sobre a história da maior e mais tradicional festa de São Sebastião do Paraíso estão entre os aspectos difundidos no projeto.

            Conforme descrição do memorial do projeto o objetivo geral é manter, preservar e incentivar a importante tradição da congada que patrimônio cultural dos paraisenses. Anualmente a festa iniciada em 8 de dezembro e realizada no período de 26 a 30 de dezembro quando são reunidas milhares de pessoas para o desenvolvimento dos festejos. Os participantes se dividem em grupos de danças do Moçambique e do Congo para cantar e dançar e cultuar suas devoções e crenças nos santos do congado entre tantos outros homenageados da comunidade.

            A cultura e a tradição originária da época da escravatura são mantidas ao longo do tempo e transmitida de geração em geração a mais de dois séculos, desde a criação e existência do município. Para perpetuar a cultura, o congado evolui ao longo do tempo. A participação nos ternos não se resume como inicialmente aos negros escravos, italianos. Ela se espalhou e ganhou adeptos em homens e mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos e persiste.

            A realização das oficinas nas escolas visa além de levar a história, o legado e o desenvolvimento da cultura do congado, também oportuniza a experiência de aprender e praticar o congado. Além do conhecimento teórico, as crianças participam de atividades como a montagem dos enfeites de chapéus, caixas e demais adereços. Por fim o momento mágico, onde são ensinados os primeiros passos e as batidas iniciais, do congado através das expressões do “ti ti ti chi bum” e da “mamãe está te chamando”, sendo marcos iniciais de ingresso no mundo do congado.

Oficinas nas escolas

            Desde o dia 16 de outubro foi iniciado em São Sebastião do Paraíso as oficinas culturais do projeto Festa da Congada e do Moçambique, desenvolvido pelo Terno de Congo Ipiranga. Participam na primeira etapa as escolas municipais: Alice Naves Ferreira, Cecília Montanhini, Hilda Borges, Campos do Amaral, Wulfrida Marcolini, Campos do Amaral e Termópolis.

            No dia 30 de outubro, nas dependências da Casa da Cultura o encontro foi realizado com professores de Música, da Rede Municipal de Educação. A eles os integrantes do Ipiranga repassaram sobre a história do congado, suas primícias e como as manifestações foram introduzidas e se instalada pelo país. Os educadores também puderam participar de instruções sobre os instrumentos utilizados e como a musicalidade é parte importante nos festejos. Ainda receberam instruções sobre a confecção de enfeites nas caixas e chapéus, com fitas. Por fim, puderam experimentar o ritmo da batida do congo.

            Ainda no mês de novembro foram realizadas oficinas ministradas por integrantes do Terno de Congo Ipiranga abrangendo docentes e discentes. No dia 8 de novembro, foram reunidas cerca de 300 crianças da Rede Municipal de Educação para atividades relacionadas ao projeto. Ilson José Aparecido falou aos alunos sobre a história do congado, suas origens e desenvolvimento, bem como que ela se iniciou no Brasil se espalhando por várias regiões. Assim como em São Sebastião do Paraíso, a festa do Congo e do Moçambique tornou-se uma cultura, um movimento que se perpetua por várias gerações.

            Como parte das comemorações da Semana da Consciência Negra, as ações do projeto e a oficina sobre Congado foi levada aos alunos da Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori. O sábado,18 de novembro, foi considerado dia letivo e os integrantes do Terno de Congo Ipiranga levaram as ações do projeto aos estudantes, professores, funcionários e diretores da escola.  “É uma proposta abrangente e estamos aproveitando todas as oportunidades. Temos aqui alunos que já fazem parte do nosso terno e de outros grupos. Foi uma oportunidade a mais para apresentar a nossa história e falar sobre a importância do congado em nossa comunidade e em todos os lugares onde ele é apresentado, numa contextualização paralela com esta data tão importante em que se comemora e celebra a consciência da cultura do negro”, comenta Ilson.

            No segundo estágio serão atendidos os estudantes das escolas municipais Noraldino Lima, Roque Scarano, Napoleão Volpe, Morro Vermelho, Termópolis e Francisco Daniel. O projeto também abrange as escolas Maria de Lourdes Dizaró (CAIC), São José e Ibrantina Amaral. Um dos últimos encontros da equipe de trabalho foi na Escola Municipal Professora Alice Naves Ferreira. A adesão dos alunos foi intensa e também envolveu professores e integrantes da escola coroando com êxito a proposta de levar aos estudantes um pouco da história e a cultura da congada. As oficinas aconteceram entre os meses de novembro e dezembro.

            Já em dezembro, quando é realizada a festa da Congada em São Sebastião do Paraíso ocorrem oportunidades para se conferir os efeitos das oficinas junto à comunidade escolar. Estudantes participam dos festejos relacionados aquela que é considerada a maior festa cultural do município. No dia 3 de dezembro com a solenidade de Levantamento das Bandeiras, vários alunos que participaram das oficinas foram convidados a integrar o desfile e procissão dos ternos de Congo e Moçambique.

            Também no domingo 17 de dezembro os ternos de Congo e Moçambique através de seus representantes participaram de procissões com destino a Matriz São Sebastião, no centro da cidade. A iniciativa constou em levar réplicas das imagens dos santos padroeiros da festa, partindo das igrejas de Nossa Senhora de Sion, Nossa Senhora da Abadia, São José e São Judas Tadeu que são sedes de paróquias no município. Segundo os organizadores a iniciativa visa valorizar a parte religiosa da festa.

            As festividades deverão prosseguir oficialmente entre os dias 26 a 30 de dezembro quando ocorrem as celebrações na Capela de Nossa Senhora do Rosário, Matriz São Sebastião e nas apresentações na passarela que será montada na Avenida José de Oliveira Brandão, no Jardim Mediterranée, além dos cortejos que ocorrem durante o dia pelas ruas da cidade.

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